Artesanato tribal africano

De Volta às Tribos.

E através de um reencontro com a mais primitiva religiosidade que os homens buscam o sentido para mais um final de século. E é no artesanato tribal africano e em relíquias da Asia e Oceania que Christian-Jack Heymès encontra uma antiga-nova paixão.

Ele nasceu em Paris e chegou ao Brasil quase que por acaso. “Eu ia fazer um estágio no atelier de uns arquitetos em Lima, no Peru. Como era verão, resolvi parar um pouco no Brasil e acabei ficando um mês. Fui ao Peru e não agüentei viver lá. Voltei para o Brasil e depois de uma experiência no Ta-hiti decidi ficar por aqui.” Isso aconteceu há vinte anos!
Seu nome é Christian-Jack Heymès, arquiteto, designer e dono da Patrimônio, uma loja dedicada a antigüidades, design e arte tribal. Esta última, uma grande paixão, responsável pelo projeto da sua nova loja, a AOA (África, Oceania e Ásia). E, no que diz respeito à sua opção profissional, ele acredita que venha de uma tradição familiar, “já que minha mãe tinha uma galeria de arte em Paris e eu vivi neste meio desde pequeno.”
Minha intenção ao procurá-lo foi saber um pouco sobre a sua pessoa, seu trabalho e principalmente conhecer a “arte tribal”, uma tendência que está ganhando grande destaque neste final de século.

“Eu acho que da mesma forma que a revolução do modernismo nas artes no início deste século sofreu uma grande influência africana, agora isso também volta com tudo quando nos aproximamos do ano 2000 e o homem passa de novo a buscar sentimentos de religiosidade, misticismo e pureza. Porque, enquanto nós vivemos numa insegurança tão grande, convivendo com uma tecnologia que não conhecemos direito e com milhares de perguntas que estão na nossa cabeça e que continuam sem respostas, eu de repente chego nas tribos africanas e vejo que as pessoas ali não têm nenhum problema, porque desde que nasceram todas as perguntas que fizeram alguém respondeu, satisfatoriamente. E isto lhes proporciona muita paz e tranqüilidade. Elas não têm angústias ou problemas não solucionados, já que o pai, a mãe ou o pajé se encarregou de resolver. Então, eles lhe passam uma confiabilidade, uma coisa que lhe deixa completamente desarmado. E é esta grande força das tribos e o trabalho feito por estas pessoas envolvidas com toda esta energia que nos fascina e que eu estou tentando resgatar antes que acabe, porque está acabando.”

Antes de continuar o seu apaixonado discurso, Christian-Jack faz questão de frisar que não é muito correto chamar este trabalho das tribos de arte primitiva, “porque, na verade, eles não estão fazendo objetos de arte, mas sim de culto, com toda a religiosidade que tem que estar presente. E se um objeto não exalar este sentimento de fé, se ele lhe deixar insensível, não tem sentido.”

Agora, o que mais o preocupa é a vulgarização deste reencontro com o artesanato primitivo. “Porque na Europa e nos Estados Unidos você encontra muitas galerias sérias que trabalham com artesanato tribal e várias outras que vendem o que eu chamo de “objetos de aeroporto”. É por isso que eu prefiro ter uma peça com apenas dez anos, mas que foi feita numa tribo para o seu próprio uso, do que uma outra com cinqüenta, mas produzida para turistas. Assim, o que eu tenho, embora seja utilizado para decorar, tem uma vida própria e é mais do que um simples objetivo de arte.”

Existe mais do que simples razão no que Christian-Jack diz, já que há mistérios nestas tribos que ultrapassam qualquer “filosofia”. “Eu li a história de uma tribo em Mali, a dos Dogom, que é uma das mais interessantes da África. Foi nela que, por volta de 1930, um pesquisador francês teve a oportunidade e a sorte de presenciar uma reunião de todos os vilarejos, algo que acontecia apenas de sessenta em sessenta anos e cujo objetivo era eleger um representante para conhecer a linguagem ritual e secreta desta comunidade. Como na época aconteciam muitos confrontos entre a França e as tribos africanas, é possível que os líderes achassem que tudo pudesse ser dizimado e que toda a sua cultura viesse a desaparecer. Encantados com este francês que ali estava e que se mostrava muito honesto, acabaram lhe passando alguns de seus conhecimentos que mais tarde seriam revelados em um livro. Entre eles, há o relato de que existem sete níveis de mundo para estes seres que diziam ter vindo do satélite de um planeta que era desconhecido na época e só descoberto depois que o livro foi lançado. E mais. Que um ano deste satélite correspondia exatamente ao tempo em que as reuniões desta tribo aconteciam.”

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